Magia & Tecnologia


10/10/2011


Entre a Fantasia e a Religião

Aslan, o Leão, se entrega voluntariamente em sacrifício para salvar a vida de seus companheiros. Após sofrer torturas e ter sua juba raspada, simbolizando a queda de sua realeza, ele é morto, mas ressuscita, ainda mais poderoso, para a batalha final contra as forças do mal.

 

Harry Potter é apenas um bebê quando Voldemort, o mago das trevas, toma conhecimento de uma profecia em que um garoto nascido há pouco tempo seria, no futuro, o responsável por sua derrocada. Dessa forma, ele decide matar bebês bruxos cujas características se enquadrariam na previsão nefasta. Ele falha em seu intento e o garoto cumpre seu destino exterminando o domínio do Lorde das Trevas ao atingir a idade adulta.

 

Gandalf, o mago cinzento, é o líder da Sociedade do Anel e se sacrifica para que seus companheiros de viagem possam seguir em frente e terminar a tarefa a eles designada. Mais tarde, ele retorna do além-túmulo em esplendor, passando a ser chamado de O Mago Branco, cuja liderança encoraja os povos da Terra-Média a derrotar as forças de Sauron, um ser maligno que vive numa terra escura e repleta de chamas e criaturas deformadas e decadentes, tal qual o inferno descrito por Dante n’A Divina Comédia.

 

Anakin Skywalker é uma criança muito especial. Encontrado ao acaso, em um planeta pobre, na condição de escravo, ele é portador da Força; uma energia mística que permeia o universo; em quantidade tão elevada como nenhum outro ser vivo antes dele. A conclusão do mestre que o encontra é de que se trata do  Escolhido, aquele que trará equilíbrio entre os lados claro e escuro da Força, visto que o jovem é fruto de uma gravidez sem pai, gerado apenas pela conjunção de energias do universo ao qual está destinado a libertar.

 

Você poderia dizer qual a semelhança entre estas sinopses de famosas obras da literatura e do cinema de fantasia?

 

Se você disse Jesus Cristo, meus parabéns!

 

Sim, Aslan, de As Crônicas de Nárnia, e Gandalf de O Senhor dos Anéis, se entregam voluntariamente ao sacrifício para proteger aqueles que amam, tal qual fez Jesus ao se deixar capturar e ser levado à crucificação. A exemplo do Messias, Aslan e Gandalf são recompensados por seu ato de desprendimento com uma nova vida, uma ressurreição com poderes ainda maiores do que antes.

 

A premissa de Harry Potter guarda semelhança muito íntima com os primeiros dias de vida de Jesus, quando o rei Herodes, sabendo que viera ao mundo aquele que libertaria o povo da tirania, ordena que sejam mortos todas as crianças com menos de 2 anos de idade. Como se sabe, a família de Jesus foge a tempo para o Egito evitando a tragédia e garantindo a sobrevivência daquele que viria a ser chamado de Rei dos Judeus.

 

Em Star Wars, a semelhança mais óbvia está no fato de que Anakin é fruto de uma gravidez sem pai, concebido por forças superiores, além da compreensão humana. Além disso, no entanto, ele foi encontrado e reconhecido como O Escolhido, (messias?), por um mestre extremamente respeitado entre seu povo, o jedi Qui-Gon Jinn, que corresponde à descrição, ainda que superficial de João Batista no caso de Jesus.

 

São inúmeros os exemplos que podemos encontrar na literatura, no cinema e em todas as demais formas de expressão artística, que nos remetem à história de Jesus Cristo e aos pilares do cristianismo. Muitas vezes essa alusão é uma homenagem declarada, como no caso das Crônicas de Nárnia, do inglês C.S. Lewis, um católico fervoroso. Outras vezes, é preciso estar atento aos detalhes da trama e à construção da narrativa, para perceber que a fonte de inspiração para as bases de uma obra de ficção foi, na verdade, a história mais conhecida e difundida em todo o mundo, a qual vive latente no inconsciente coletivo, inclusive dos escritores e roteiristas, como se pode notar.

 

Por isso, quando pensar em criar uma nova história de fantasia medieval, um épico intergalático ou uma epopéia no mundo dos bruxos, verifique com cuidado se a sua história já não foi contada antes e se o seu protagonista não foi inspirado numa figura conhecida.

Escrito por Jefferson às 15h27
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28/06/2011


HQ Fashion Week

O pop se notabiliza por sua constante ebulição. Nada dura para sempre. As paradas de sucesso sempre tem uma banda ou cantor(a) diferente no topo. Os casos de sucessos mais duradouros são tão raros que acabam se tornando lendas e podem ser contados nos dedos das mãos: Elvis, Beatles, Michael Jackson, Rolling Stones, Madonna...

 

Da mesma forma que na música, outras áreas da cultura pop sofrem constantes mudanças e atualizações. Cinema, artes plásticas, games, TV, tudo muda.

 

Seguindo essa tendência, a DC Comics, editora americana de quadrinhos que publica as histórias de personagens como Batman, Flash, Lanterna Verde e Superman, está passando por uma reformulação. Entre outras coisas, os uniformes dos heróis foram remodelados, buscando uma atualização, afinal a grande maioria deles permanece inalterado desde sua criação, nas décadas de 30, 40 e 50.

 

O melhor exemplo disso é o Superman. Criado em 1938, o Homem de Aço usa o mesmo modelito azul colante com capa e sunga vermelhas cobrindo suas vergonhas, desde a primeira aparição, em Action Comics #1.

 

É compreensível que os criadores Jerry Siegel e Joe Shuster tenham concebido para o último filho de Kripton uma roupa que facilitasse seus movimentos, principalmente o vôo, com o bônus de deixar em evidência sua privilegiada forma física. Dessa maneira, a roupa colante cumpria bem esses dois papéis e servia como desculpa para se desenhar músculos avantajados, capazes de intimidar a bandidagem.

 

Ocorre que, para evitar o constrangimento de se deixar a genitália em evidência, surgiu a polêmica sunga vermelha por cima do uniforme. Alvo de chacotas há mais de 70 anos, este pequeno item da vestimenta de muitos super-heróis, foi finalmente retirado da indumentária oficial do Superman.

 

O resultado? Nenhum.

 

Sim. A retirada do polêmico calção, cueca ou sunga do uniforme oficial do Superman não mudou em nada o aspecto geral do escoteiro azulão. Suas calças continuam mais colantes do que as do bailarino russo Mikhail Barishnikov, além do que, aparentemente, há uma sunga azul, ou pelo menos um reforço na região polêmica da anatomia kriptoniana que lembra o formato de uma cueca.

 

Para alguns super-heróis é perfeitamente justificável o uso de calças colantes: o Aquaman precisa diminuir o atrito durante a natação, o Flash tem que correr a velocidades próximas à da luz e assim por diante. No caso da Mulher-Maravilha foi, verdadeiramente, uma evolução passar do biquíni para uma calça de lycra, afinal que heroína conseguiria combater o crime de fio-dental?

 

Nada disso, porém, se aplica ao Superman. Afinal, ele não precisa de maiô de natação e a agilidade que ele ganha com a roupa colante é prejudicada pela capa, um acessório desnecessário e que até prejudicaria a aerodinâmica durante o vôo, caso ele fosse real.

 

Portanto, na minha opinião, faltou coragem aos novos manda-chuvas da DC Comics para fazer uma verdadeira reformulação e trazerem os heróis criados no início do século XX definitivamente para o terceiro milênio. É espantoso que na cultura pop, que se destaca justamente por sua constante mutação, tenha-se tanto receio e pudor em se alterar uma coisa tão simples quanto um uniforme.

Escrito por Jefferson às 11h48
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14/12/2010


Paradoxos Temporais

Talvez não seja possível determinar com precisão quando surgiu o desejo do ser humano de viajar no tempo. O fato é que a partir do século XIX com o surgimento de autores brilhantes e visionários como Jules Verne e H.G. Wells, os quais nos presentearam com obras como Viagem ao Centro da Terra e A Maquina do Tempo, esse sonho se tornou cada vez mais presente no inconsciente coletivo.

 

O desejo de se deslocar através da quarta dimensão floresce no imaginário popular pelos mais diferentes motivos, como testemunhar a trajetória de personagens históricos como Jesus Cristo ou Leonardo Da Vinci; visitar a Terra num futuro distante para ver os efeitos do aquecimento global, ou até mesmo mudar o passado buscando reparação de atos falhos em nossa própria vida. São infinitos os motivos pelos quais alguém, algum dia, já quis ter à mão um aparelho que permitisse essa fantástica viagem.

 

Contudo, se realmente existisse um equipamento capaz de tal façanha, quais seriam as implicações de uma jornada como essa?

 

O cinema, como um espelho que reflete a sociedade que o criou, explora largamente o tema. São incontáveis os filmes que tratam de viagens temporais e suas conseqüências, as quais, quase sempre, não são muito animadoras.

 

No clássico oitentista De Volta para o Futuro, Marty McFly, personagem imortalizado por Michael J. Fox, quase impede a própria existência, ao interferir no momento em que seus pais se conheceram. Por outro lado, o filme Exterminador do Futuro, sucesso do Ator-Governador Arnold Schwarzenneger, mostra uma situação onde um dos personagens manda para uma viagem ao passado aquele que viria a ser seu pai, garantindo assim a sua própria concepção.

 

Agora imagine que Marty não conseguiu dar um final feliz ao namoro de seus pais. Nesta situação, ele jamais teria existido. Mas se ele não chegou a ser concebido e nascer, como foi capaz de viajar para o passado e atrapalhar o momento em que seus pais se conheceram? Diante disso, a viagem no tempo jamais teria ocorrido e todos os acontecimentos teriam se desenrolado normalmente, com o casamento dos McFly e o nascimento de três filhos, entre eles, Marty.

 

Em O Exterminador do Futuro 2 descobrimos que foi o chip do primeiro T-800 que iniciou todo o processo de máquinas inteligentes que viriam a destruir a Terra com uma guerra nuclear. Partindo do princípio que John Connor enviou para o passado o próprio pai afim de salvar sua mãe e concebe-lo durante a aventura, bastaria para ele abrir mão da própria existência para salvar toda a humanidade.

 

Não captou? Eu explico.

 

Se John Connor contrariasse as ordens de sua mãe e não enviasse Reese para o passado, ele jamais existiria, portanto, o T-800 não seria mandado ao passado para impedir seu nascimento e a CiberDyne jamais teria acesso àquela tecnologia extraordinária. O problema é que aí não teríamos um dos melhores filmes de ficção dos anos 80.

 

É claro que estas hipóteses refletem o meu pensamento sobre o tema e você tem todo o direito de discordar. Só não vá voltar no tempo e me impedir de escrever este texto, porque isso pode gerar um baita paradoxo.

 

Escrito por Jefferson às 16h41
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30/06/2010


A Turma da Mônica e a Metalinguagem

 

Reproduzo abaixo um e-mail que enviei para os Estúdios Mauricio de Sousa a respeito do uso de metalinguagem nas histórias da famosa Turma da Mônica.

 

Olá Mauricio,

 

Não sei se você, Mauricio de Sousa, chegará a ler este e-mail pessoalmente. Como é um homem muito ocupado, dividido entre a criação artística e os negócios, acredito que a leitura desse texto ficará a cargo de um estagiário ou assessor. De qualquer forma, minha esperança é que pelo menos uma menção ou pequena parcela das idéias que exporei a seguir cheguem aos seus ouvidos, pois tenho certeza que você não será indiferente a elas.

 

Tenho 34 anos e leio as historias da Turma da Mônica desde os 5 anos de idade. Na verdade, aprendi a ler com os gibis da turminha, especialmente Cebolinha, que é meu personagem preferido. Hoje, leio os gibis que meus filhos - uma garota de 11 e um menino de 8 – me fazem comprar toda vez que passamos em frente a uma banca de jornal. Eles são apaixonados pelos personagens, em especial meu filho, que tem o sonho de se tornar um desenhista para um dia poder trabalhar ao seu lado.

 

O motivo deste e-mail, no entanto, não é falar sobre a minha vida pessoal, mas sim expor uma opinião que construí comparando os gibis que meus filhos lêem hoje com aqueles que eu devorava na infância.

 

Na minha época, as crianças se identificavam com a Turma da Mônica, porque eles eram como nós: jogavam bola no campinho, empinavam pipa, colecionavam figurinhas e protagonizavam a eterna rivalidade entre meninos e meninas. Ler aquelas histórias era como ser transportado para o bairro do Limoeiro e bolar planos infalíveis com o Cebolinha, correr do banho com o Cascão ou fazer uma reunião no clubinho com o resto da molecada. A gente simplesmente mergulhava na história e não via a hora passar quando estava acompanhado de um gibi.

 

Hoje, percebo com tristeza que essa mística acabou. E a razão disso é o uso excessivo da metalinguagem. Toda vez que pego um dos gibis dos meus filhos pra ler, vejo que os personagens falam o tempo todo que estão numa história em quadrinhos, quase sempre saem da história pra entrar nos estúdios e falar com desenhistas e roteiristas, além de citarem edições passadas onde aconteceu determinado fato importante para o roteiro.

 

Com toda a sinceridade que um fã de longa data pode ter, eu digo: não há nada mais chato do que isso.

 

Não há como se identificar com personagens que não são mais crianças como as outras, mas celebridades do mundo dos quadrinhos. Ao ler uma história da Turma hoje, tenho a sensação de estar assistindo a um Big Brother em HQ, onde as pequenas celebridades ficam se exibindo para os leitores, conversando com a câmera e com o Bial, que no caso é o roteirista.

 

Não há uma só aparição do Xaveco que não venha acompanha da expressão “personagem secundário”. Não há uma só edição onde um dos personagens não converse com o roteirista ou com você, Mauricio.

 

E aí, eu me pergunto: qual a razão disso? Por qual motivo contar histórias de crianças não é mais suficiente? Por que agora os personagens têm que saber que são personagens e lembrar o leitor disso o tempo todo?

 

Apesar do meu protesto contundente, não sou radical e sei que a metalinguagem é uma ferramenta muito poderosa quando bem usada. Eu apenas acredito, que vocês perderam a mão. Talvez tenham se empolgado com alguns bons resultados e acabaram exagerando na utilização desse tipo de recurso.

 

Para exemplificar o que estou dizendo, peço que você pense sobre dois filmes famosos que usam esse recurso de formas totalmente distintas.

 

O primeiro é A História Sem Fim, um filme dos anos 80 onde um garoto encontra um livro e começa a lê-lo escondido. À medida que se aprofunda e se envolve com a leitura, o menino começa a “entrar” literalmente na história. Os personagens parecem perceber a sua presença e as decisões que ele toma influenciam no desenrolar da história. No fim das contas, ele acaba participando efetivamente da trama, vivendo a aventura que antes estava apenas impressa nas páginas do velho livro. Trata-se de um filme maravilhoso, onde a gente vê reproduzida na tela a sensação que temos quando lemos uma história que nos envolve verdadeiramente.

 

O outro é O Último Grande Herói, protagonizado por Arnold Schwarzenegger. Nesse filme, um garoto ganha um bilhete de cinema mágico e consegue “entrar” no seu filme preferido e conhecer os personagens pessoalmente. O problema é que ele não aproveita essa oportunidade única em sua vida. Ao invés disso, passa o tempo todo tentando convencer o personagem de Arnold de que eles estão num filme e que nada do que estão vivendo é real. É óbvio pensar que a intenção era mostrar uma situação cômica, pois ninguém acredita no garoto, apesar de todos os clichês hollywoodianos que acontecem durante o filme, mas o efeito causado não é esse. O expectador acaba se cansando daquela insistência do garoto em provar que eles estão num filme, porque não há como se envolver com uma história quando alguém insiste em te lembrar de que aquilo não é a vida real.

 

Diante desses exemplos e de tudo que falei até aqui, me despeço pedindo a você que entenda isso como uma crítica construtiva, uma tentativa de contribuição de alguém que é seu fã há quase três décadas e que está formando uma nova geração de leitores, a qual tem em você a figura do grande contador de histórias, que entretém e encanta os doces dias da infância.

Escrito por Jefferson às 10h18
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09/04/2010


Sabedoria de Almanaque

O título dessa mensagem é uma expressão, raramente usada hoje, que designa um tipo de conhecimento que não tem nenhuma utilidade específica.

 

Algumas pessoas acumulam durante suas vidas um conjunto de memórias e informações que não produzem qualquer tipo de efeito prático. Não servem para o desempenho de uma profissão, não se prestam a ampliar sua experiência de vida, nem sequer servem para alimentar uma conversa de nível mediano.

 

 

No meu caso, uma boa parte desse repertório está ligada ao universo nerd. Há também, na minha mente, compartimentos para o futebol e a mitologia grega, mas nada supera o espaço ocupado por séries antigas, desenhos animados, games, quadrinhos e toda sorte de manifestações da cultura pop.

 

 

Veja alguns exemplos de coisas que você pode não saber (ou não se lembrar), e que, cinco minutos após ler este texto já terá esquecido, pois o seu cérebro com certeza vai julgar um desperdício de energia arquivar tanto lixo.

 

 

 

  • O Chaves não mora no barril, ele apenas se esconde lá. Sua verdadeira morada é a casa número 8 da vila (mas ninguém nunca soube com quem ele vive).

 

 

  • A data estelar que sempre é citada no início dos episódios de Jornada nas Estrelas (Star Trek) é um sistema real de contagem de tempo. Ao contrário da série, a data estelar não tem nada de ficção.

 

 

  • Jambo e Ruivão foi o primeiro desenho da Hanna-Barbera. Foi nessa animação que algumas técnicas de redução de custos, como a repetição de cenários, foram introduzidas, o que ajudou a popularizar os desenhos na TV.

 

 

  • A estréia do Pica-Pau foi como coadjuvante num desenho do Andy Panda. O episódio é aquele em que o pai de Andy tenta pegar o Pica-Pau colocando sal na cauda dele.

 

 

  • O ator escolhido inicialmente para o papel de Indiana Jones foi Tom Selleck, mas o bigodudo não pôde aceitar em razão do sucesso que fazia na série do detetive havaiano Magnum. Harrison Ford foi um plano B que deu certo.

 

 

  • Assim como o Batman, o Homem-Aranha também já teve o seu carro personalizado, o “Aranhamóvel”. Felizmente esta idéia ridícula durou pouco tempo e ele voltou a se locomover atirando teias pela cidade.

 

 

  • Os Beatles eram fãs da série de livros O Senhor dos Anéis e chegaram a planejar um filme nos anos 60. John Lennon faria o papel de Gollum.

 

Escrito por Jefferson às 10h52
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17/02/2010


Top Ten

 

Nas minhas andanças, ou naveganças (neologismo?), pela internet, tenho observado que muitas pessoas gostam de fazer listas do tipo "os dez melhores", sobre todo tipo de assunto.

 

Algumas vezes são apenas cinco melhores, outra vezes quinze ou vinte, em alguns casos são eleitos os piores de determinado segmento em lugar dos destaques positivos. Não importa. Seja lá quais forem as variações, sempre veremos na rede uma lista que pretende dizer a você o que é bom ou ruim, o que você deve ou não aceitar, o que é clássico e o que é trash.

 

Mas afinal, qual o critério usado para se fazer uma lista dessas?

 

Nos rankings esportivos, como o dos tenistas profissionais, existe um sistema de pontuação, onde o desempenho do atleta nos diferentes torneios o faz subir ou descer na lista.  Na cultura pop, no entanto, fica difícil encontrar um motivo para uma lista de melhores que não esteja profundamente ligado ao gosto pessoal de quem a elaborou.

 

Como é possível escolher os Dez Melhores Desenhos Animados dos Anos Oitenta, os Dez Melhores Filmes de Adolescentes ou os Dez Melhores Vilões do Cinema? Qual o critério técnico para isso? Seriam os índices de audiência, o número de indicações ao Oscar ou a opinião dos críticos suficientes para se saber se Pernalonga é melhor que Pica-Pau? Como se pode afirmar que Curtindo a Vida Adoidado foi mais divertido que De Volta para o Futuro? O que pode comprovar que Darth Vader era mais cruel e desalmado que Voldemort?

 

O fato é que toda vez que se tenta fazer esse tipo de coisa fica no ar um cheiro de subjetividade, o que só provoca a polêmica e a discussão, pois na ausência de critérios técnicos, o campo para a discussão se torna infinito, na medida em que cada um quer impor sua própria visão ignorando os argumentos alheios por mais fortes que sejam.´

 

Nos próximos posts vou fazer algumas listas de melhores e piores e, de antemão, aviso que os critérios serão estritamente técnicos, ou seja, será a minha visão pessoal, não cabendo contestação.

 

Aceite minha opinião como um bom cordeirinho e, quem sabe, eu o colocarei no topo da minha lista dos Dez Melhores Leitores do Blog Magia e Tecnologia.

Escrito por Jefferson às 16h52
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15/12/2009


Futebol Virtual

 

Ontem foi o aniversário de três meses do meu último texto nesse blog. Uma vergonha, se levarmos em consideração que eu vinha mantendo uma média de um post por semana. Além do que, essa viagem sobre super-heróis e futebol foi minha crônica de maior sucesso até hoje, pois me rendeu elogios de um jornalista-blogueiro do primeiro escalão, José Roberto Torero, o qual me premiou com a publicação do texto em seu próprio blog.

 

Acontece que minha ausência não se deve a nenhuma crise criativa ou qualquer desculpa dessas que os escritores amadores gostam de usar. Eu apenas direcionei minhas energias para outro projeto.

 

Explico.

 

Há tempos que tenho o sonho de abrir uma loja voltada para o público nerd. Já pensei em vender camisetas com estampas ligadas a séries e heróis, já pensei em DVD's, revistas em quadrinhos, brinquedos, miniaturas e todo tipo de produto desse fascinante universo (do qual faço parte, é claro). Infelizmente para mim, não tenho o capital necessário para esse empreendimento.

 

Recentemente porém, surgiu uma oportunidade de começar por baixo, mas com potencial para crescer, pois, em parceria com dois amigos apaixonados por video game, criamos a Liga Guarulhense de Futebol Virtual, que promoverá campeonatos de Pro Evolution Soccer, o game de futebol mais cultuado no mundo. Os jogos vão acontecer na Lan House de um desse meus amigos e já conseguimos até nos filiar à Federação Paulista de Futebol Virtual o que, além de credibilidade, dará à nossa Liga a possibilidade de selecionar os representantes de Guarulhos no Campeonato Paulista da modalidade!

 

Sim! O Futebol Virtual é um esporte organizado e com muitos praticantes em todo o mundo. Para se ter uma idéia, o campeão paulista de 2009 embolsou um gordo prêmio de cinco mil reais!

 

Se esse novo projeto der certo, pode ser o início da minha tão desejada virada de mesa profissional. O sonho de trabalhar com o que mais gosto pode estar começando a virar realidade e eu vou me agarrar com todas as forças a essa oportunidade.

 

Mas quem gosta de ler umas bobagens por aqui, não fique triste, porque eu vou continuar colocando pra fora esses pensamentos desconexos que teimam em sacudir minha mente.

 

Abraços virtuais.

Escrito por Jefferson às 15h17
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14/09/2009


Crossover Futebolístico

Em meados dos anos 90 as duas gigantes dos quadrinhos americanos, Marvel e DC, resolveram promover uma disputa entre seus personagens, onde o resultado dos combates era decidido com enquetes entre os leitores. Assim, numa minissérie com roteiro tosco, vimos Batman lutando contra Capitão América, Namor contra Aquaman e assim por diante. Apesar de ser claramente um caça-níqueis oportunista, esta história despertou curiosidade, afinal, que fã de quadrinhos nunca se perguntou qual seria o resultado de uma briga entre Hulk e Superman? Diante disso, porque não levar essa disputa para os campos de futebol e imaginar qual seriam as escalações das equipes de super-heróis?

 

O time da Marvel seria escalado no esquema 4-4-2, começando com:

 

Goleiro: Sr. Fantástico, afinal ninguém é mais adequado para o gol do que um cara que se estica todo, sendo capaz de alcançar qualquer bola.

 

Laterais: na direita Mercúrio, um velocista capaz de atacar e defender ao mesmo tempo, literalmente. Na esquerda, Homem-Aranha. O Amigão da Vizinhança é perfeito para a posição porque quando desce para o ataque seu sentido-de-aranha avisa se um adversário se aproveitar do espaço deixado atrás.

 

Zagueiros:  para impor respeito, nada melhor do que o Hulk na zaga central, duvido que alguém coloque o pé numa dividida dessas. Fazendo companhia ao Gigante Esmeralda no miolo de zaga, Wolverine, que nunca se contunde e intimida os atacantes adversários rosnando para eles.

 

Volantes: para proteger a zaga, o Coisa, um verdadeiro muro na intermediária defensiva, já na transição da defesa para o ataque, o mais indicado é um jogador habilidoso, capaz  de incendiar a partida surgindo de surpresa no ataque: Tocha Humana.

 

Meias: armando o jogo pela direita aparece um deus da bola: Thor, um verdadeiro tormento para os adversários. Na esquerda, a posição que exige mais habilidade no futebol, nada melhor do que o mago Doutor Estranho.

 

Atacantes: Noturno, um jogador versátil que pode cair pelas duas pontas, se teleportando de um lado para o outro para confundir a marcação e Capitão América, pois sua força e agilidade são insuperáveis, além do mais, a estrela da companhia não poderia ficar no banco.

 

Técnico: Prof. Xavier, um mestre que consegue passar instruções para todo o seu time ao mesmo tempo e, o que é melhor, sem ter que ficar berrando na beira do campo.

 

O time da DC viria no esquema 3-5-2, escalado assim:

 

Goleiro: Gavião Negro, que é capaz de voar para alcançar as bolas mais difíceis e, numa cobrança de falta, pode literalmente fechar os ângulos apenas abrindo as asas.

 

Zagueiros: O trio de zaga seria formado pelos Lanternas Verdes Hal Jordan e John Stewart jogando no combate, afinal se eles são guardiões do universo vão poder guardar a grande área muito bem. Atuando como líbero aparece o Capitão Marvel, afinal um personagem que tem o nome do adversário só poderia ficar com as sobras mesmo...

 

Volantes: protegendo a zaga uma dupla de volantes insuperável, pelo menos no quesito entrosamento: Batman e Robin.

 

Alas: Pela direita, o Flash, que desce para o ataque e volta para compor o meio-de-campo na velocidade da luz. Já na esquerda o escolhido é Mutano, que pode usar a velocidade do guepardo para atacar e a ferocidade do tiranossauro para defender.

 

Meia-armador: nessa posição-chave o escalado é o Caçador de Marte, afinal ninguém melhor para pensar o jogo do que um telepata.

 

Atacantes: para derrubar a retranca adversária a equipe DC conta com Aquaman que faz o jogo fluir pelas pontas e o grande astro Superman, que tem o chute mais forte do Universo.

 

Técnica: para comandar os heróis da Liga da Justiça, uma inovação, Mulher Maravilha. Afinal, todo mundo sabe que quando uma mulher manda os marmanjos obedecem.

 

Eu não sei como seria essa partida, nem qual seria o resultado, o que sei é que certamente não faltaria raça, empenho, luta, jogadas de efeito, gols inimagináveis e uma disputa verdadeiramente heróica, qualquer que fosse o vencedor.

Escrito por Jefferson às 12h40
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11/09/2009


Como Será o Amanhã? (parte 2)

Não é à toa que eu não acredito ser possível prever o futuro através de métodos esotéricos porque, se fazer isso usando lógica e o raciocínio já é quase impossível, imagine só ter que depender da boa vontade das energias cósmicas. É preciso ter uma conexão banda larga de 12 giga com o sobrenatural para poder chegar ao status de um Nostradamus.

 

Entretanto, mesmo diante da enorme dificuldade, consegui deduzir alguns acontecimentos futuros levando em conta tendências que podem ser facilmente observadas no presente, aliadas a um pouco de imaginação e boa vontade:

  

SOCIEDADE: O RACISMO ESTÁ COM OS DIAS CONTADOS!

Chegará um tempo em que haverá apenas uma etnia em toda a Terra. Nada de caucasianos, asiáticos, afrodescendentes, hispânicos, árabes, nem nenhuma outra forma de diferenciação racial. Apenas seres humanos. Isto porque a miscigenação é um fator que vem se intensificando nos últimos séculos, principalmente em razão dos fenômenos da imigração e da globalização.

Usando um exemplo bem simplório, imagine que você tem vários potes de tinta de diferentes cores. Se você os mantiver separados poderá distinguir as cores claramente, mas se o conteúdo se misturar, surgirá uma nova tonalidade, homogênea e diferente de todas as anteriores.

É certo que ainda há muitas comunidades que vivem em total isolamento, como os índios da Amazônia e algumas tribos africanas, além, é claro, daqueles grupos que tentam se manter puros através de casamentos entre os próprios membros, como os judeus e os ciganos, mas nem eles resistirão por muito tempo aos constantes avanços nos transportes e nas telecomunicações, que tornam as distâncias (reais e culturais) cada vez menores.

Sendo assim, ainda que demore uns dois ou três milênios, a humanidade estará livre do racismo, simplesmente porque não haverá mais diferenças étnicas, razão primordial desse comportamento hediondo.

 

ECONOMIA: CONGLOMERADOS DOMINARÃO O MUNDO.

A tendência mais forte que vemos no mundo capitalista é a fusão de grandes empresas. Recentemente vimos o Itaú comprar o Unibanco e a Brahma se unir à Antarctica dando origem à Ambev. Em ambos os exemplos o todo se tornou mais do que a simples soma das partes, pois a nova organização nascida da fusão é mais forte e eficaz do que as empresas originais seriam se permanecessem isoladas.

Diante desse quadro, não é difícil imaginar que num futuro não muito distante haverá alguns poucos conglomerados que dominarão suas respectivas áreas de atuação, com um mínimo de concorrência. A recente compra da Marvel pela Disney mostra bem essa tendência, pois uma das poucas empresas da área de entretenimento que ainda se mantinha independente foi absorvida a exemplo de sua rival histórica, a DC Comics, que faz parte do grupo Time Warner.

  

TECNOLOGIA: PROJETO MARTE.

Esta é uma área onde as possibilidades estão totalmente abertas. O desenvolvimento exponencial da ciência e da tecnologia tem impulsionado muitas atividades, como a indústria do entretenimento, das telecomunicações, automobilística, farmacêutica, transportes e muitas outras, inclusive a militar.

É muito difícil prever aonde tudo isso vai nos levar, mas uma coisa é certa: o ser humano tem uma ânsia expansionista que não encontra limites. Desde a Antiguidade vemos figuras como Alexandre, o Grande, Julio Cesar e Napoleão buscando conquistar novas terras, explorar os confins do planeta e exercer poder sobre e tudo e todos.

Pois este mesmo sentimento continuará movendo nossos cientistas e políticos tornando realidade as viagens espaciais, com a chegada do homem a Marte e a (real) viagem à Lua (sim, porque este blogueiro não acredita que o homo sapiens já esteve por lá, mas este é assunto para outro post...).

 

POLÍTICA: ???

Desde o princípio da civilização a classe governante se valeu de sua posição para obter vantagens pessoais. Partindo dessa premissa é difícil acreditar que chegará o dia em que esse estado de coisas mudará radicalmente. Sendo assim, o máximo que posso supor sobre política é que o comunismo vai desaparecer totalmente, pois a China já está bem adiantada nessa questão e Fidel não vai viver para sempre. Com ele fora do caminho, certamente haverá uma abertura gradual do país, principalmente se considerarmos a posição do atual presidente americano.

Tirando essa previsão bastante óbvia, fica apenas a esperança que o desenvolvimento das comunicações e a instantaneidade da informação permitam um maior controle sobre os políticos, levando não ao fim da corrupção (o que me parece impossível), mas a uma fiscalização mais eficiente da população sobre os mandatários e coronéis do poder.

 

Confesso que não foi nada fácil fazer estas previsões, às quais tive o cuidado de não determinar tempo para que se cumpram, pois não quero ser cobrado por eventuais erros. Apenas tive a ousadia de supor que realmente nada acontece por acaso, mas não por que esteja escrito nas estrelas, mas porque tudo o que fazemos agora terá consequencias no futuro. Não é destino, é a lei da vida.

 

Escrito por Jefferson às 08h59
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04/09/2009


Como será o amanhã? (parte 1)

Dizem que a gente vive a maior parte do tempo preso a lembranças do passado ou então imaginando como será o futuro. Ao momento presente dedicamos a menor parcela da nossa atenção.

 

Como eu andei divagando sobre o passado em alguns dos últimos posts, talvez seja a hora de voltar os olhos para o futuro, afinal, quem nunca teve, ainda que por um breve instante, a curiosidade de saber como serão os tempos que ainda estão por vir?

 

Não é preciso ser fã de ficção científica para querer descobrir se algum dia o homem será capaz de viajar para outros planetas, colonizar a Lua ou encontrar vida extraterrestre. A maior parte das vezes, no entanto, nos preocupamos com questões cotidianas, como a escolha de uma profissão, o presente que se vai ganhar no natal, a conquista de um novo namorado ou se o nosso time será campeão no fim do ano. Cada pessoa devaneia de acordo com seus interesses e seu repertório de vida. O fato é que as respostas para todas estas questões residem numa dimensão obscura e inexplorada chamada futuro.

 

Quem costuma ler este blog sabe que o autor não acredita em qualquer tipo de técnica esotérica de adivinhação como astrologia, numerologia, tarô, búzios e similares. Ao invés disso, prefiro tentar caminhar pela lógica e supor que o futuro pode ser vislumbrado se conseguirmos enxergar as tendências e potencialidades que existem no presente.

 

Por exemplo, não é difícil prever que o Fluminense será rebaixado para a segunda divisão do campeonato brasileiro este ano, afinal, o time está em último lugar e não demonstra qualquer força de reação. Da mesma forma, podemos afirmar com certa convicção, que após as desastrosas passagens de Renan Calheiros e José Sarney pela presidência do Senado, nada irá mudar e o próximo manda-chuva do Parlamento certamente não terá a ficha limpa que o povo brasileiro deseja.

 

No próximo post farei um exercício de futurologia levando em conta as tendência que podemos identificar hoje e que, se elevadas ao seu potencial máximo, podem resultar em situações bizarras mas plausíveis.

Escrito por Jefferson às 16h49
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01/09/2009


O Rei Molusco

Era uma vez um reino submarino onde existia muita alegria, diversão, calor, águas límpidas, mas também muita fome e violência. Esse lugar mágico era governado pelo Rei Molusco.

 

Ele era um rei muito querido, pois tinha sofrido muito para alcançar seu objetivo de ser o soberano das águas. Chegou até a perder um tentáculo numa pescaria, acidente que o impediu de trabalhar e estudar por toda a vida.

 

Mas o Rei Molusco era muito bom para os peixinhos mais pobres e desafortunados. Ele até distribuía uma ração mensal de minhocas, o Bolsa Minhoca. Sua popularidade enchia o oceano, da superfície até o pré-sal.

 

É bem verdade que os críticos diziam que o Bolsa Minhoca era uma politicagem populista e que as minhocas eram desviadas do seu verdadeiro objetivo para enriquecer os demais moluscos amigos do rei. Mas nunca ninguém conseguia provar nada. E quando as coisas estavam ficando feias, o Rei Molusco dizia simplesmente que não sabia de nada e colocava a culpa em algum dos seus ministros cabeça-de-bagre.

 

Agora, os peixes da faixa média do oceano, aqueles que não são tão pobrezinhos como os do fundo, nem tão ricos quanto os que nadam por cima, estão ficando muito insatisfeitos. Isso porque o Rei Molusco, que sempre lutou contra os malfeitores do mar antes de chegar ao poder, agora está todo prosa ao lado de dois ex-reis do mares que não deixaram nenhuma saudade: o Peixe Collorido e o Bagre Bigodudo.

 

Essas amizades estão ficando difíceis de explicar e já está correndo nos sete mares o rumor de que o Peixe-Serra está preparando o bote para atacar o Rei Molusco e seus asseclas, tomando o poder no reino submarino.

 

Não perca os próximos capítulos das lambanças do Rei Molusco no Reino das Águas Tupiniquins.

Escrito por Jefferson às 16h27
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03/08/2009


Os Bons Tempos São Agora

No post anterior eu levantei a questão de que as pessoas tendem a acreditar que tudo o que está no passado é melhor do que as coisas do presente. Para isso usei o exemplo do futebol, algo que está muito presente na minha vida e na da maioria dos brasileiros.

 

Mas esse comportamento, obviamente, não se restringe ao esporte bretão. Podemos observá-lo em todas as áreas da vida.

 

Quem nunca ouviu um avô ou um tio quarentão dizendo para os sobrinhos viciados em internet: "ah, no meu tempo a gente se divertia de verdade! Brincávamos na rua de esconde-esconde, pipa e bolinha de gude..."

 

Não há nada mais chato!

 

As crianças de hoje tem a infância que é possível a elas ter. Quem pode afirmar que, podendo optar, a geração internet não preferiria passar algumas horas entre orkut e msn do que arrancando pedaços dos dedos tentando frear carrinhos de rolimã?

 

Na adolescência o problema persiste.

 

A geração woodstock, discoteca e até a new wave se apressa em dizer que as músicas daquela época eram mais dançantes, que as roupas eram mais bonitas, que as casas noturnas eram melhor frequentadas. Bobagem.

 

Mudou a época, mudaram as pessoas, mas assim como no passado, há músicos talentosos e enganadores, há roupas de bom e de mau gosto e, acima de tudo, há pessoas boas e más em todos os lugares. Se a violência hoje está desenfreada e as paixões não duram mais de meia hora, isso é apenas reflexo de tudo que vem acontecendo desde "os velhos tempos". Ou alguém é ingênuo o suficiente para achar que as coisas sairam de controle do dia para a noite?

 

Por essas e por outras (como dizia minha avó) é que eu acredito que cada época tem a sua beleza e as suas dificuldades. Cabe a nós entender que o passado não volta e tentar fazer do presente uma alegria e não um fardo. Até porque, no futuro vamos querer lembrar dos dias atuais com o mesmo saudosismo que insistimos em ter hoje.

Escrito por Jefferson às 16h47
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